Sisifonando

Começo do período da tarde de uma segunda-feira. Mais uma segunda-feira! Nada de anormal; durante o tempo da manhã foram cumpridos todos os atos e os rituais necessários à manutenção da sanidade e do pertencimento à categoria social que escolheram para você.

Então, você se acorda no mesmo horário que acordou na segunda-feira da semana passada; melhor dizendo, ‘você é acordado’. Seguem-se, então, os demais atos – a ritualística deve ser pontual.

Observam-se as mesmas mães passando pela mesma rua, onde seguram a mão de seus filhos ou de suas filhas que estão se dirigindo à escola.

Em seguida, toma-se um café, conversa-se aqui e acolá com alguma pessoa da família; orienta-se sobre alguma necessidade que deve ser realizada e é quando você se dirige ao campo de trabalho.

Lá, prossegue-se com os parâmetros: “bom dia!”; “por favor!”, “como foi o seu final de semana?”, “assistiu sobre a reportagem no programa…?”; enfim, são muitos rituais linguísticos aos quais se estar condicionado.

Quase ao meio dia, a fome aperta. Logo, começa o jogo do que “você vai almoçar hoje”? São perguntas e mais perguntas sobre o que será consumido no almoço.

Devidamente ‘comido’ – como se costuma falar – você, exceto se tiver outro expediente, na segunda-feira, irá, necessariamente, tirar um cochilo, pois o corpo exige.

Você, se não for num dia de chuva, acordará sob o barulho da pirralhada na rua; tomado banho, acessará as redes sociais próprias e, principalmente, dos outros e assim ficará até por volta das 23 horas, quando começará o ritual para dormir novamente, pois a terça-feira estará bem ali.

A moral da história é que Sísifo é muito bem representado por nós.

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