Família Cazuzinha

Depois de um período de inércia, o editorial “História e Imagem” é retomado, sendo as personagens desta edição dignas de confluência com a respectiva retomada. A finalidade do editorial sempre foi valorizar a nossa história, contando, através de narrativas e de um conjunto de imagens fotográficas, a historicidade de famílias e de sujeitos fundamentais à memória cultural e social do município de Colônia Leopoldina.

Sendo assim, na edição de hoje teremos a oportunidade e o prazer de conhecer um pouco da historicidade da família Cazuzinha. A família Cazuzinha vem desde meados do século passado contribuindo para o crescimento do nosso município. Família com número elevado de pessoas se espraia pelo tecido social leopoldinense e até no exterior, com a sua neta Dávila Cazuzinha, que é doutoranda em agronomia e filha de Dona Cícera e do Sr. Franscisquinho.

Portanto, retome aquela xícara de café que estava guardada desde a paralização de “História e Imagem” e venha acompanhar a evolução familiar dos (as) Cazuzinhas.

A família Cazuzinha

A família Cazuzinha, como atualmente conhecemos, se consolidou com o casamento de Rita Maria da Conceição e João Alexandre da Silva, no dia 18 de janeiro de 1961, no engenho Areinha. Os noivos foram ao casamento a cavalo.

Eles se conheceram no Sítio Areinha, quando ela tinha 8 e ele 12 anos de idade. Passados os anos, começaram a namorar quando ela possui 18 primaveras e ele 22; à época ele já trabalhava na agricultura e ela exercia o ofício de professora em Areinha e em Monte Alegre.

Do casal Cazuzinha, que herdara este epíteto do Sr. Cazuzinha, pai do Sr. João Cazuzinha, nasceram 8 filhos e 4 filhas: Cícera Maria Alves (Cicinha), Arnaldo Alexandre da Silva (Dadá, ex-vereador de Colônia Leopoldina) Maria do Socorro, Severino Alexandre (Viva), Clóvis Alexandre (Clóvis do Bar), Hamilton Alexandre, Maria Aparecida (Nêm), Arnaldo Ferreira (Nal), Jorge Alexandre (Jorge Cazuzinha, atual vereador e presidente da Câmara de Vereadores de Colônia Leopoldina), José Carlos (Duda) – in memoriam – Adriana Maria da Silva, Adilson Alexandre (Dida Cazuzinha) e Edmilson Alexandre (Missinho).

Dona Rita e o Sr. João Cazuzinha estabeleceram residência, inicialmente, em Areinha e em seguida em Monte Alegre. Dona Rita, que permaneceu exercendo o santo ofício do ensino escolar e, portanto, proporcionando saber à “meninada” da região, não se escamoteava para auxiliar o Sr. Cazuzinha no fomento das lavouras brancas – macaxeira, feijão, batata, etc.

Com o passar das “temporadas”, o casal começou a investir na aquisição de terras e no plantio de cana. “Foi uma época de muito trabalho”, disse Dona Rita, se referindo ao fato de que, desde o começo, o esforço e a honestidade do trabalho na agricultura foi e permanece sendo a marca da família Cazuzinha.

Perquirida do que mais sente falta, Dona Rita Cazuzinha respondeu que “da tranquilidade do sítio; do verde e das paragens ao final de tarde”, lembranças e saudades que a levam, ainda hoje, Areinha e a Monte Alegre. Falou ainda que “vai uma vez por mês à Monte Alegre”; um dos lugares que mais gosta em Monte Alegre é a Igreja, que tem São Manoel da Paciência como padroeiro.

E por falar em padroeiro, a famosa procissão de São Manoel da Paciência, realizada anualmente no dia 06 de janeiro, obteve uma maior organização com o pai do Sr. João Cazuzinha, ainda em meados do século passado.

Dona Rita Cazuzinha relatou que “hoje em dia tá muito bom pra os transportes”, porque “naquele tempo não havia carro motorizado, só os carros de bois e cavalo era pra rico”. Sendo assim, visando o desenvolvimento da região, o Sr. João Cazuzinha “abriu a estrada” de Monte Alegre, quando rompeu, ao lado de outros trabalhadores, as densas matas.

Por efeito da deusa Clio, Dona Rita Cazuzinha ainda disse que sente muita saudade das festas populares, quando “a gente brincava de ciranda, além de outras brincadeiras, e tínhamos comidas típicas que nos próprias fazíamos; tenho saudades da palhoça”.

Por seu turno, Dona Rita Cazuzinha possui uma história emocionante. Ela relata que “não sabia ler nem escrever”. Ela nunca estudou no sentido institucional do termo, mas diz que “a sorte foi 3 amigas que tive na infância e na adolescência, que na boquinha da noite me ensinaram a ler e a escrever”.

A matriarca dos (as) Cazuzinhas nunca aprendeu a montar cavalo, sendo que “quando precisa resolver algum assunto na cidade vinha a pé”. Durante o inverno, “só os homens vinham para a cidade”. Hoje em dia “tá bom demais, pois naquele tempo quando se adoecia ou quando se estava grávida e precisasse ir à cidade se usava uma rede de deitar até o engenho Pé de Serra, quando se pegava o carro até Colônia Leopoldina ou Ibateguara”, disse.

Em 1962, Dona Rita começa a ensinar em Monte Alegre e depois em Areinha, sendo que “os alunos só iam para a escola na cidade depois que soubessem ler e escrever”, explicou ela. Por final, ela reprovou o próprio neto, Tiago Cazuzinha, convicta na crença de que ele para vim estudar na cidade carecia está bem preparado e acreditava que o mesmo ainda não se encontrava apto.

Atualmente a família Cazuzinha representa uma considerável parte da produção de cana da região. Desde cedo os membros da família Cazuzinha trabalharam muito, seja na agricultura ou na pecuária, com a criação de cabras e porcos. Numa época em que o trabalho infantil não era visto como um acinte à dignidade humana, mas, pelo contrário era uma virtude, tantos os meninos quantos as meninas cazuzinhas trabalhavam.

O afinco ao trabalho ainda hoje é presente. Por exemplo, o Sr. João Cazuzinha, todos os dias, vai para o sítio, “administrar a propriedade e os bens”, disse Dona Rita Cazuzinha. Por sinal, desde os 10 anos ele trabalha; inicialmente para sustentar os pais, os irmãos e as irmãs e depois a sua própria família.

A passagem do Sr. João Cazuzinha na dimensão física do tempo ficará registrada e será impagável. Afinal, ele, que começou cortando cana, depois produziu farinha, comercializou produtos num barracão – muitas vezes não era um comércio, mas um ato de caridade para aqueles que precisam se alimentar e não tinham condições de pagar – vem gerando emprego e renda na região para centenas de famílias através de suas atividades no ramo da cana de açúcar.

Este será um daqueles nomes que Mnemonise não incidirá sobre ele. Em 2017, a Câmara Municipal de Colônia Leopoldina outorgou ao mesmo o título de “Cidadão Benemérito Leopoldinense”, pelos relevantes serviços prestados à comunidade e ao município.

Título merecidíssimo!

No campo político, na dimensão da construção e da produção das relações sociais, merecem menção o Dadá Cazuzinha, que foi vereador em nossa cidade e que tanto contribuiu para o crescimento do município, o atual presidente da Câmara Municipal, o vereador Jorge Cazuzinha, responsável pela restruturação física do parlamento municipal e que sempre se posicionou favorável às decisões que ajudaram os segmentos sociais leopoldinenses, assim como o atual secretário de infraestrutura do município, Dida Cazuzinha, que de longas datas vem contribuindo na política local e com as profundas transformações estruturais.

Finalmente, a família Cazuzinha representa bem o que podemos chamar de “pertencimento leopoldinense”, no sentido de expressar aqueles valores que nos caracteriza.

Quero deixar aqui uma imensa gratidão pela acolhida e fotografias ao amigo e pensador da ciência jurídica, Thyago Cazuzinha e a Dona Rita Cazuzinha pelas informações.

“A superação é a osmose da evolução”!

Obrigado meus avós por ter me dado além do que nunca tiveram.

Thyago Cazuzinha

Crédito: família Cazuzinha
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